quarta-feira, 13 de julho de 2011

Cálculo Renal: entenda e saiba como prevenir!

Desde a antigüidade os cálculos urinários, popularmente chamados de pedras nos rins, causam transtornos e muita dor as pessoas. Mas afinal, o que causa pedras nos rins? Quais as riscos dessas pedras para o organismo? Qual o tratamento mais indicado? O que devemos fazer para prevenir? Quem esclarece as dúvidas mais comuns e orienta é o médico nutrólogo e dr. em Ciências dos Alimentos, Edson Credidio.

  • O que pode provocar o cálculo ou litíase renal?
A ingestão excessiva de alguns alimentos pode provocar ou acelerar distúrbios pré-existentes no nosso organismo propiciando o desequilíbrio químico necessário para a formação destes cálculos.
Por exemplo:
• Cálcio: o aumento de sua ingestão só deve ser controlado, em casos confirmados de pacientes com alta sensibilidade à ingestão de leite e derivados.
• Sódio: sal de cozinha deve ser restringido para aproximadamente 1 colher de chá por dia.
• Proteínas: principalmente as de origem animal (carnes, peixes, aves, ovos, leite e derivados) apresentam um efeito agravante quanto à formação dos cálculos.
• Ingestão de líquidos: o aumento da ingestão de líquidos é provavelmente a orientação mais importante que deve ser dada para estes pacientes, pois somente esta medida sem a ação de medicamentos pode reduzir em 60% a incidência destes cálculos.
  • O que são os cálculos renais?
Os cálculos renais, como o próprio nome diz, são condensações (depósitos) de íons e sais formados no interior do rim.
Embora não sejam conhecidos por completo os motivos pelos quais os cálculos urinários são formados, acredita-se que vários fatores possam estar envolvidos neste processo: super-saturação urinária (situação em que há excesso de um ou mais elementos que compõem a urina facilitando a sua precipitação); diminuição dos inibidores urinários (substâncias existentes cuja função é impedir a cristalização de urina super saturada).
Fatores genéticos também podem contribuir para o aumento da formação de cálculos, assim como algumas doenças como as que provocam excesso de ácido úrico.
Os cálculos formados no rim podem evoluir das seguintes maneiras:
- Aumento de tamanho: aumento de deposito de íons sobre uma matriz.
- Eliminação: o cálculo se desprende do rim e desce pelo ureter (tubo que drena a urina do rim para a bexiga). Nessa ocasião, a pessoa apresenta cólica de rim, que é uma dor de forte intensidade na região lombar.
- Estabilização: muitos cálculos permanecem por muitos anos sem migração ou crescimento. Quando essas pedras são de pequeno tamanho, podem ser acompanhadas clinicamente.
  • Como se formam os cálculos renais?
Vamos imaginar um copo de água cheio, a água é clara e transparente. Se jogarmos um pouco de sal, este se diluirá, ficará em suspensão e tornará a água um pouco turva. Se continuarmos a jogar sal no copo, a água ficará cada vez menos clara, até o ponto em que o sal começará a precipitar no fundo do copo. Isso acontece quando a quantidade de solvente (água) não é suficiente para dissolver todo o soluto (sal).
Este é o princípio da formação dos cálculos. Quando a quantidade de água na urina não é suficiente para dissolver todos os sais presentes, estes retornam a sua forma sólida e precipitam nas vias urinárias.
Portanto, a formação de cálculos ocorre por falta de solvente (água), por excesso de soluto (sais), ou mesmo por ambos.
A maioria dos casos tem como origem a pouca ingestão de líquidos. Pessoas com passado de cálculos ou com história familiar forte, devem urinar pelo menos 2 litros por dia. Como ninguém vai ficar coletando urina para medir o volume, uma dica é acompanhar a cor da urina. Ela tem que ter odor fraco, ser amarelo bem claro, quase transparente.
Uma urina diluída resolve o problema da maioria das pessoas. Porém, há um grupo de pacientes que mesmo bebendo bastante água, continuam a formar pedras. São as pessoas com alterações na composição urinária.
  • A litíase renal pode trazer conseqüências aos rins?
A litíase renal de repetição é uma das causas de insuficiência renal crônica e pode entupir os ductos renais levando a uronefrose. Por isso, além dos estudos para investigar a causa, é também necessário um acompanhamento da uréia e creatinina sanguínea.
  • Quais os sintomas do cálculo renal?
O sintoma mais comum é a cólica renal, uma dor lancinante na região lombar que pode irradiar em direção a virilha. Por vezes, a dor é tão intensa que vem acompanhada de náuseas e vômitos. Ardência ao urinar e sangue na urina também são freqüentes. Alguns doentes conseguem notar a eliminação de pequenas pedras ao urinar. Quando isso ocorre pode haver alívio dos sintomas. Uma vez que já exista uma pedra nas vias urinárias, esta deve ser seguida de perto, principalmente as maiores de 0,5 cm, que apresentam mais dificuldade em serem expelidas espontaneamente. Na maioria dos casos o tratamento é esperar e dar um apoio aos sintomas apresentados pelo paciente. Prescrevemos analgésicos anti-espasmódicos e aguardamos a pedra sair. Porém, cálculos grandes podem ficar impactados no ureter e provocar uma obstrução à drenagem, causando acumulo de urina e consequente dilatação do rim, a qual chamamos de hidronefrose. As hidronefroses graves devem ser corrigidas o quanto antes, pois muito tempo de obstrução leva a lesões irreversíveis deste rim. O tratamento dos cálculos varia desde simples analgésicos e fluidos para tentar eliminar o cálculo espontaneamente, até a necessidade de procedimentos cirúrgicos quando há sinais de infecção, hidronefrose, dor intratável ou cálculos muito grandes.
  • Quais alimentos podem prevenir a litíase renal?  
As recomendações para garantir um efeito protetor de cálculo renal são:
- Ingerir mais de 2 a 4 litros de líquidos por dia: a ingestão adequada de líquidos pode contribuir para a prevenção de formação de cálculos por reduzir a saturação de oxalato de cálcio e aumentar a resistência da urina a sobrecarga de oxalato. Essa ingestão deve ocorrer preferencialmente com água ou líquidos de baixa osmolaridade como chás diluídos.
- Recomenda-se também o maior consumo de sucos de frutas, como os de melão e melancia, ricos em potássio, por aumentarem a excreção urinária de citrato que previne a formação de cristais de oxalato de cálcio.
- Os chás e o café, com ou sem cafeína, foram associados com a redução do risco para litíase em 8 a 10%, enquanto o vinho diminui o risco em cerca de 60%. O efeito protetor dessas bebidas é devido à diminuição da concentração urinária. Já os chás preto e o mate devem ser consumidos com moderação, devido ao elevado teor de oxalato.
- Limitar a ingestão de proteína animal: essa pode aumentar o risco de cálculos pelo aumento do ácido úrico urinário; porém mantendo um adequado consumo de laticínios e proteínas de origem vegetal, já que a restrição severa de cálcio e proteínas da dieta não é recomendada por estimular a perda de osso.
- Limitar a ingestão da vitamina C: indicado 60mg e no máximo em 2g dia, pois ela estimula a excreção de oxalato que é um composto químico formador de cristais podendo provocar aumento na freqüência dos cálculos.
- Adequar a ingestão de cálcio: uma dieta adequada em cálcio tem um papel protetor sobre a recorrência de cálculos além de ser muito importante para formação óssea. A recomendação de cálcio para pessoas que não tem restrição é de 1000 mg/dia de acordo com a dietary references intake (DRI) e a recomendação para pacientes com hipercalciúria varia de 400 mg/dia à 800 mg/dia de acordo com o grau da doença.

- Moderar a ingestão de sódio: de 2 a 3 gramas por dia, pois essa inibe a reabsorção de cálcio e com isso eleva o cálcio urinário aumentando sua excreção.
Alimentos como: abacate, abacaxi, acelga, melão, melância, agrião, azeite extra virgem de oliva, cenoura, chá verde, vinho, couve, figo, limão, maçã, mamão, milho e pêra podem prevenir o aparecimento de cálculos. Mas, para utilizar estes tratamentos alimentares, é necessário fazer a análise bioquímica do cálculo renal, expelido ou retirado, para que se faça o tratamento preventivo da recidiva.
Acredita-se que a dieta seja um dos maiores fatores de risco ambiental na formação de cálculos de oxalato de cálcio, já que esta tem forte relação com a composição urinária. A baixa ingestão hídrica e o alto consumo de proteína e álcool foram os maiores fatores de risco dietéticos encontrados na literatura.
Pesquisas sugerem que o excesso de peso, também pode resultar em aumento da excreção urinária de cálcio, oxalato e ácido úrico. Um estudo demonstrou que a obesidade e o excesso de ganho de peso estão associados como fator de risco para litíase renal. Os distúrbios metabólicos que ocorrem na obesidade, como resistência à insulina e hiperinsulinemia, podem levar ao aumento da excreção renal de cálcio e conseqüente formação de cálculo.

Fonte: Edson Credidio, médico Nutrólogo, Clínico Geral, Doutor em Ciências de Alimentos, pós doutorando em Alimentos Funcionasi e Bioativo

2 comentários:

  1. Oi Tati... muito bom post, é sempre importante tomarmos o cuidado necessário. Com saúde não se brinca....

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  2. Esse foi o melhor post que ja li sobre calculos renais, tenho esse problema e lendo esse post passou um filme na minha cabeca de tudo que ja passei. Parabens pelo post

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